Tempos de coprodução para a América Latina

Executivos e executivas dos canais latino-americanos Telefe, Caracol, TV Azteca e Señal Colombia estiveram representados no segundo dia do RioContentMarket, com um objetivo em mente: desenvolver coproduções no Brasil.

“Esse é um evento muito interessante para o produtor independente brasileiro, porque fornece um panorama claro sobre o que está acontecendo no mercado e o que os canais como os nossos estão procurando. Porém, apesar de que temos bastante experiência na coprodução com países hispânicos ou com os EUA, não há casos de coprodução com o Brasil”, disse Fidela Navarro, diretora da TV Azteca Internacional. Nesse sentido, a executiva afirmou que a TV Azteca não procura coproduzir apenas com grandes companhias, mas também com o setor independente.

Alejandro Toro, diretor de Coproduções do canal colombiano Caracol TV, admitiu que a barreira do idioma é real, mas disse que acredita que projetos conjuntos possam ser viabilizados. “Vocês têm um mercado tão grande que às vezes não percebem a necessidade de sair lá fora. Mas na Colômbia, o orçamento publicitário local é cada vez menor por causa das novas mídias, então temos que depender cada vez menos dos mercados locais”, ele comentou.

Um bom exemplo nesse sentido foi ‘El regreso de Lucas’, coprodução entre o canal argentino Telefe e o peruano América TV. “Por causa da mudança do mercado, sentimos a necessidade de fazer histórias mais curtas. Mas não podíamos deixar de lado o nosso know-how de telenovelas, que sabemos ser efetivo internacionalmente. Então o resultado foi um romantic thriller de sessenta capítulos: amor combinado com policial”, disse Mercedes Reincke, diretora de Desenvolvimento de Conteúdo da Telefe. A executiva comentou outras experiências de coprodução com parceiros como a HBO, a japonesa Fuji e a israelense Keshet. E alertou os produtores brasileiros: “Estamos obrigados a mudar a nossa narrativa”.

O canal público Señal Colombia, focado em conteúdo infantil, educativo e documentário, também divulgou oportunidades de coprodução durante a palestra. “Terceirizamos toda a nossa produção como forma de fortalecer o setor independente. Entre 2011 e 2016 foram 119 projetos coproduzidos, totalizando um investimento de 41,1 milhões de dólares”, disse Liliam Bernal, diretora de Aquisições do canal. Nesse sentido, em dezembro o broadcaster colombiano abriu o seu sétimo edital de coprodução, que está recebendo projetos até o dia 27 de março.

 

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