O Lab Novas Histórias acaba de divulgar os dez roteiros de longa-metragem de ficção selecionados para sua edição comemorativa de seus 30 anos. Os escolhidos foram selecionados entre 244 projetos inscritos, de sete países, e seus autores participarão da imersão de desenvolvimento de 15 a 18 de dezembro, no Grande Hotel Campos do Jordão (Hotel-escola Senac). Lá, terão a oportunidade de trabalhar seus roteiros com reconhecidos consultores brasileiros e internacionais.
Pela primeira vez em três décadas, todas as histórias selecionadas têm crianças e adolescentes como público ou como protagonistas. Os projetos vão do drama histórico à comédia de terror, da fantasia à ficção científica, e tratam de memória política, racismo, masculinidades, crise climática e afeto. “Foram 17 seletores para chegarmos a esse resultado diverso em temáticas que afetam crianças e adolescentes sem esquecer que cinema é entretenimento e nos convida a pensar e sonhar junto com os personagens da tela grande”, conta Carla Esmeralda, da Esmeralda Produções.
Entre os selecionados estão:
Brasil
- As Caixas, de Vânia Lima e Daniel Arcades. Na Bahia de 1978, um menino criado numa funerária descobre os silêncios da ditadura em cartas escondidas no cemitério.
- Bagre, de Daniel Fraiha. Uma menina de 11 anos que assume tarefas de adulta reencontra a infância ao esconder uma cadela no telhado do prédio.
- Chassi, de Isabelly da Costa Vieira. Criada na borracharia da avó, Agatha vê a comunidade se agitar com boatos sobre uma candidata à prefeitura.
- Cores de Maio, de Juliana Vicente. Dois irmãos da única família negra de um condomínio de luxo enfrentam o racismo.
- Nota Vermelha, de Duba Rodrigues. Um garoto de 12 anos enfrenta uma vampira depois que o amigo volta apático de uma suposta terapia.
- Para Onde Voam os Pássaros?, de Euler Lopes. Dois irmãos no sertão e a violência com que os meninos são educados.
- Walala, de Perseu Azul e Graciela Guarani. Uma jovem indígena vive na última floresta da Terra sem saber que sua vida é transmitida ao mundo como um jogo.
América Latina
- Debajo de mi Cama Duerme una Jirafa, de Aria Sánchez (Cuba). Uma menina se prepara para um campeonato de luta livre e descobre que também pode desistir.
- Mi Amiga, Tú y Yo, de Mayerlin Llamas (Colômbia). Ana, de 11 anos, perde a amiga imaginária na noite da primeira menstruação.
- Olivia y la Tortuga, de Nicolas Zalcman (Argentina). Depois de um dilúvio de cem dias, uma menina tenta levar de volta à Amazônia uma tartaruga que não para de crescer.
Durante a imersão, os roteiristas selecionados serão orientados pelo time de consultores da edição. Dele fazem parte os norte-americanos Ira Sachs, de “Passagens” e “Homenzinhos”, e Lisa Cholodenko, de “Minhas Mães e Meu Pai”, indicado a quatro Oscars, o brasileiro Carlos Saldanha, diretor de “A Era do Gelo” e “Rio”, a roteirista holandesa Mieke de Jong e os brasileiros Alice Gomes, Ana Luiza Azevedo, André Araújo, Marton Olympio e Rosane Svartman.
As 244 inscrições, sendo 230 brasileiras e 14 internacionais, vindas da Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Moçambique e Venezuela, passaram por duas etapas de avaliação. Na primeira, grupos de três consultores analisaram os roteiros e formaram uma lista de cerca de 25 projetos. Na segunda, a organização e a Comissão de Seleção definiram os dez finalistas.
Criado em 1996 pela Esmeralda Produções em parceria com o Sundance Institute, o Lab Novas Histórias chega aos 30 anos com o Alana como parceiro e correalizador, ao lado do Sundance Institute. A edição conta ainda com o Senac São Paulo, parceiro educacional da iniciativa há mais de 15 anos, e com o Projeto Paradiso, iniciativa filantrópica do Instituto Olga Rabinovich. Ao longo de três décadas, passaram pelo Lab roteiros como “Cidade de Deus”, “Que Horas Ela Volta?”, “As Boas Maneiras” e “Feito Pipa”, vencedor do Urso de Cristal no Festival de Berlim.












